A Estratégia do Oceano Azul: Crie Mercados, Evite Competir

A Estratégia do Oceano Azul, um dos livros de negócios mais impactantes já escritos, propõe uma mudança de mentalidade radical. Em vez de lutar bravamente em batalhas sangrentas por fatias de um mercado existente, a obra nos convida a criar novos espaços. Em outras palavras, o segredo não é competir melhor, mas tornar a concorrência irrelevante. Essa ideia, desenvolvida por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, oferece um roteiro poderoso para a inovação e o crescimento sustentável.

A premissa central do livro é a “inovação de valor”. Isso significa buscar, simultaneamente, a diferenciação e o baixo custo. Ao contrário da crença popular de que uma empresa precisa escolher entre oferecer mais valor a um preço maior ou um valor razoável a um preço menor, os autores mostram que é possível unir as duas coisas. Para isso, é preciso redesenhar completamente a lógica do seu setor.

Portanto, este artigo não é apenas o resumo de um livro. Na verdade, é um guia prático para entender por que a competição feroz pode ser uma armadilha. Além disso, vamos explorar os princípios fundamentais para navegar em direção a mercados inexplorados. Finalmente, você aprenderá como aplicar essa estratégia para se reinventar e encontrar o seu próprio oceano azul de oportunidades.

Por que a Competição é o Ponto de Partida da Estratégia do Oceano Azul

Imagine um oceano repleto de tubarões lutando ferozmente pela mesma presa. A água, consequentemente, fica vermelha de sangue. Essa é a metáfora que os autores usam para descrever os “oceanos vermelhos”, ou seja, todos os mercados que existem hoje. Nesses mercados, as empresas definem fronteiras claras e conhecem as regras competitivas. O objetivo de cada uma é superar suas rivais para conquistar uma fatia maior da demanda existente.

Contudo, essa batalha constante tem um preço alto. Primeiramente, ela leva à comoditização, onde produtos e serviços se tornam cada vez mais parecidos aos olhos do consumidor. Como resultado, a única arma que resta, muitas vezes, é o preço. Isso desencadeia uma guerra de preços que comprime as margens de lucro de todos, tornando o crescimento rentável uma tarefa quase impossível.

Além disso, focar na concorrência limita a sua visão. As empresas ficam presas em um ciclo de benchmarking, onde apenas tentam copiar ou melhorar marginalmente o que os outros já fazem. Dessa forma, a verdadeira inovação fica em segundo plano. Evitar a competição direta, portanto, não é um ato de covardia. Pelo contrário, é uma decisão estratégica para escapar dessa armadilha destrutiva e canalizar suas energias para a criação de valor genuíno.

Os Seis Princípios da Estratégia do Oceano Azul

Para guiar as empresas nessa jornada de criação de mercados, Kim e Mauborgne estabeleceram seis princípios fundamentais. Eles são divididos em princípios de formulação e princípios de execução.

Princípios de Formulação (Como criar a estratégia):

  1. Reconstruir as Fronteiras do Mercado: Em vez de olhar para dentro do seu setor, explore setores alternativos, analise diferentes grupos estratégicos dentro do mercado, redefina o grupo de compradores e olhe para produtos e serviços complementares. Assim, você encontrará insights para criar algo novo.
  2. Focar no Panorama Geral, Não nos Números: Muitas empresas se perdem em planilhas e projeções detalhadas. Por outro lado, a estratégia do oceano azul exige que você desenhe um “mapa visual” da sua estratégia, focando no quadro geral para identificar para onde você está indo.
  3. Ir Além da Demanda Existente: Em vez de segmentar e mirar em nichos cada vez menores, você deve procurar o que há em comum entre os clientes atuais e os “não-clientes” que estão à margem do seu mercado. Dessa forma, você pode agregar uma nova demanda.
  4. Acertar a Sequência Estratégica: A sua ideia de oceano azul precisa ser viável. Portanto, você deve seguir uma sequência: analisar a utilidade para o comprador, definir o preço estratégico, calcular o custo-meta e, finalmente, superar as barreiras à adoção.

Princípios de Execução (Como implementar a estratégia):

  1. Superar as Principais Barreiras Organizacionais: Uma ideia revolucionária muitas vezes enfrenta resistência interna. Seja como for, é preciso superar as barreiras cognitivas (resistência à mudança), políticas (conflitos de interesse), motivacionais (equipes desmotivadas) e de recursos (orçamento limitado).
  2. Introduzir a Execução na Estratégia: Para garantir o comprometimento, o processo de criação da estratégia deve ser justo e transparente. Quando as pessoas participam da construção da ideia, elas se sentem mais engajadas em sua execução.

Afinal, o que é um Oceano Azul?

Um oceano azul, em suma, é um espaço de mercado novo, inexplorado e livre de concorrência. Ele é criado quando uma empresa oferece um salto de valor tão grande para os compradores que cria uma demanda inteiramente nova. Isso torna, efetivamente, os concorrentes irrelevantes, pois eles continuam jogando um jogo diferente.

O exemplo mais icônico, sem dúvida, é o Cirque du Soleil. Nos anos 80, o setor de circos estava em declínio, preso em uma competição acirrada por um público cada vez menor (um oceano vermelho). Em vez de tentar criar um circo melhor, com palhaços mais engraçados ou domadores de leões mais corajosos, o Cirque du Soleil reinventou a indústria.

Ele combinou o melhor do circo (a lona, os acrobatas, a emoção) com o melhor do teatro (enredos, música, dança, sofisticação artística). Ao fazer isso, ele não atraiu apenas o público tradicional de circos. Na verdade, ele criou uma nova demanda, atraindo um público adulto disposto a pagar preços de teatro por uma experiência de entretenimento completamente nova. O Cirque du Soleil não venceu a competição. Ele a tornou irrelevante.

Como Sair de um Mercado Competitivo e se Reinventar

Para aplicar essa lógica de forma prática, os autores criaram a Matriz das Quatro Ações. Essa ferramenta força você a desafiar a lógica estratégica do seu setor, fazendo quatro perguntas-chave:

  • Eliminar: Quais atributos que o seu setor considera indispensáveis devem ser eliminados?
    • Exemplo do Cirque du Soleil: Eles eliminaram os caríssimos espetáculos com animais e a participação de estrelas circenses famosas.
  • Reduzir: Quais atributos devem ser reduzidos bem abaixo do padrão do setor?
    • Exemplo: Eles reduziram o humor pastelão e as promoções de baixo valor.
  • Elevar: Quais atributos devem ser elevados bem acima do padrão do setor?
    • Exemplo: Eles elevaram a sofisticação do ambiente. A lona se tornou um espaço mágico, com assentos confortáveis e uma atmosfera premium.
  • Criar: Quais atributos, nunca oferecidos pelo setor, devem ser criados?
    • Exemplo: Eles criaram temas para cada espetáculo, enredos, coreografias complexas, música original e uma experiência artística unificada.

Ao responder a essas perguntas, você consegue redesenhar sua curva de valor. Consequentemente, você para de fazer pequenas melhorias e começa a criar uma oferta verdadeiramente única e inovadora.

Os Autores por Trás da Estratégia

Finalmente, é importante conhecer as mentes por trás dessa obra. W. Chan Kim e Renée Mauborgne não são apenas autores; eles são professores de Estratégia e Gestão no INSEAD, uma das mais prestigiadas escolas de negócios do mundo. Além disso, são codiretores do Instituto INSEAD para a Estratégia do Oceano Azul. Eles dedicaram mais de uma década a um estudo profundo sobre mais de 150 movimentos estratégicos em 30 setores diferentes.

O trabalho deles não foi baseado em teorias abstratas, mas sim em uma análise rigorosa de dados históricos que buscou responder a uma pergunta simples: o que separa as empresas de sucesso duradouro das demais? A resposta que encontraram deu origem à Estratégia do Oceano Azul, um livro que já vendeu milhões de cópias e foi traduzido para dezenas de idiomas. Em resumo, Kim e Mauborgne nos ensinaram que os limites do mercado e da estrutura da indústria não são fixos. Pelo contrário, eles podem ser reconstruídos pela ação de empreendedores e gestores visionários.

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